Nem todo mundo precisa emagrecer: o risco invisível entre pessoas com peso normal

(Peso normal não garante saúde: alterações metabólicas podem estar presentes mesmo em pessoas consideradas magras – Crédito: Freepik)

Alterações metabólicas silenciosas têm sido identificadas mesmo em pacientes sem excesso de peso

A associação entre magreza e saúde ainda persiste como uma das ideias mais difundidas no imaginário coletivo. No entanto, médicos têm chamado atenção para um fenômeno cada vez mais frequente nos consultórios: pacientes com peso considerado normal, mas com alterações metabólicas relevantes, muitas vezes já em estágio inicial de doença.

Trata-se de um quadro silencioso, que pode evoluir ao longo dos anos sem diagnóstico.

Embora o excesso de peso seja um dos principais fatores de risco, ele não é o único. Estudos epidemiológicos indicam que a síndrome metabólica já atinge uma parcela significativa da população adulta brasileira, reunindo condições como alterações no colesterol, aumento da circunferência abdominal, hipertensão e desregulação da glicose.

Segundo o médico Rafael Reis, esse tipo de alteração também tem sido identificado fora do perfil tradicionalmente associado ao risco metabólico. “Hoje é muito frequente atender pessoas com peso normal, mas com resistência insulínica, gordura visceral elevada e alterações importantes do colesterol.”

Diferentemente do excesso de peso, que costuma funcionar como um alerta visível, essas alterações podem permanecer ocultas por longos períodos. Entre as mais frequentes estão a resistência insulínica, o acúmulo de gordura visceral, a dislipidemia e processos inflamatórios de baixo grau.

“Essas alterações aparecem anos antes do diagnóstico de doenças, como diabetes, hipertensão ou síndrome metabólica”, destaca.

A identificação depende de uma avaliação que vá além da aparência física. Exames como glicose, insulina e hemoglobina glicada ajudam a mapear o metabolismo da glicose, enquanto o perfil lipídico completo indica o risco cardiovascular. Marcadores inflamatórios e a análise da composição corporal também vêm ganhando espaço nessa investigação.

“Então, dizer que uma pessoa é magra, não significa que o metabolismo é saudável”, frisa Dr. Rafael.

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