Mulheres líderes pagam o preço da alta performance: por que a coerência virou a nova vantagem competitiva

Com recorde de afastamentos por transtornos mentais e burnout mais alto entre mulheres em cargos seniores, especialista defende um novo modelo de liderança baseado em regulação interna, presença e governança energética.

O Brasil entrou em 2026 com um alerta difícil de ignorar: em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de 15,66% em relação a 2024 (472.328). Ansiedade e episódios depressivos seguem entre os diagnósticos mais frequentes.

Embora a discussão sobre saúde mental no trabalho já tenha virado pauta recorrente, o impacto na liderança ainda é subestimado. “Quando a líder sustenta resultados em estado interno de sobrevivência, o custo aparece depois, no corpo, na clareza mental, na qualidade das decisões e na cultura ao redor”, diz Vanessa Queiroz, empresária e fundadora do ecossistema de Liderança Energética® do Futuro, que atua na intersecção entre estratégias de gestão, psicologia, neurociência e estudos aplicados de campo eletromagnético humano.

O tema ganha urgência porque a pressão sobre mulheres em posições de comando não se explica apenas por agenda cheia. Relatórios internacionais vêm apontando burnout elevado entre mulheres em cargos seniores: no Women in the Workplace 2025, seis em cada dez mulheres no nível sênior relatam burnout frequente, acima dos homens no mesmo nível. No Brasil, enquanto as mulheres avançaram para 36,7% das posições de liderança em empresas de médio porte, a sustentação dessa presença segue desafiadora, e não apenas por barreiras externas — mas pelo modelo interno de performance que muitas aprenderam a operar.

Para Vanessa, há uma diferença decisiva entre dois paradigmas: Alta Performance e Alta Coerência. “A liderança do passado treinava comportamento. A liderança do futuro organiza o campo, a biologia e a consciência”, escreve ela em artigo no qual descreve a transição do esforço para o fluxo, defendendo que resultados mais sustentáveis emergem quando pensamento, emoção e intenção deixam de operar em conflito.

Esse ponto tem respaldo em linhas de pesquisa sobre coerência cardíaca e autorregulação. Estudos e revisões na área associam intervenções que aumentam a coerência fisiológica a melhorias em desempenho cognitivo e tomada de decisão em tarefas específicas, reforçando a tese de que “estado interno” não é um assunto subjetivo, mas variável que influencia a performance mental.

Na prática, a discussão deixa de ser “como fazer mais” e passa a ser “como governar melhor”. É aí que entra o conceito de Liderança Energética® Feminina do Futuro: um modelo no qual o feminino não é sinônimo de emoção desorganizada, e sim de capacidade de integração — ler o não dito, sustentar presença em ambientes caóticos, navegar complexidade sem colapsar e humanizar sistemas que tendem à desumanização.

Como desdobramento, Vanessa desenvolveu o ORDEX, descrito por ela como um sistema operacional psicodinâmico interno — não um treinamento motivacional nem um processo terapêutico tradicional — voltado a organizar coerência (gestão de energia, regulação, presença), identidade (arquétipos integrados, narrativa soberana), governança (decisão, limite, direção) e expansão (impacto e influência sustentável).

A proposta, afirma, é preparar mulheres que lideram — ou estão destinadas a liderar — áreas estruturantes da sociedade, como educação, saúde, economia, governo, comunicação e cultura. “Não é sobre curar o mundo. É sobre organizar sistemas para que o mundo não adoeça”, resume.

Com o avanço da crise de saúde mental e a queda de engajamento gerencial em diversas economias, o debate sobre liderança tende a migrar do repertório de técnicas para a capacidade de sustentar estados internos coerentes e, a partir disso, influenciar decisões e ambientes. Nesse cenário, a Liderança Energética® Feminina do Futuro se apresenta menos como discurso inspiracional e mais como uma hipótese de gestão: quando a líder se organiza por dentro, o sistema ao redor ganha estabilidade — e a performance deixa de ser guerra.

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