Lesão de LCA e menisco nas mulheres: por que o diagnóstico correto é fundamental para preservar o joelho
Com anatomia e biomecânica específicas, o público feminino apresenta maior risco de lesões no joelho; ortopedista Dr. Luiz Henrique Pires explica os sinais, a indicação cirúrgica e a importância da reabilitação.
Dor, estralo doloroso, inchaço rápido e aquela sensação incômoda de que o joelho “saiu do lugar”, “deu um mal jeito” ou “falsiou” são alertas vermelhos que vão muito além de uma simples contusão. Entre as lesões articulares mais frequentes — especialmente em praticantes de esportes como futebol, corrida, funcional, beach tennis e vôlei —, destacam-se a ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e as lesões de menisco. O que muitos não sabem é que as mulheres estão no centro de atenção desse diagnóstico.
Estudos mostram que atletas e praticantes de atividades físicas do sexo feminino chegam a ter de duas a oito vezes mais chances de sofrer uma lesão de LCA em comparação aos homens. Fatores como a largura do quadril (que altera o ângulo do joelho), maior frouxidão ligamentar, oscilações hormonais ao longo do ciclo menstrual e diferenças na biomecânica do salto e da corrida explicam essa vulnerabilidade.
O LCA dá estabilidade rotacional ao joelho durante movimentos de pivô e impede o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur. Já os meniscos atuam como amortecedores essenciais, distribuindo a carga e protegendo a cartilagem. Segundo o ortopedista Dr. Luiz Henrique Pires, as duas estruturas podem ser lesionadas juntas em movimentos sem contato direto.
“Muitas vezes, a lesão do LCA na mulher acontece durante uma mudança repentina de direção, uma desaceleração ou uma aterrissagem inadequada após um salto, onde o joelho desvia para dentro. Um movimento de pivô, com o pé fixo no chão e o tronco girando, pode ser suficiente para provocar a ruptura”, explica o ortopedista Dr. Luiz Henrique Pires.
Nas lesões de menisco, os sintomas variam entre dor localizada, inchaço, estalos e episódios de travamento. “O problema é que nem toda lesão se manifesta da mesma forma. O exame físico criterioso, associado à ressonância magnética, é indispensável para um diagnóstico preciso”, afirma o médico.
Tratamento individualizado e preservação da articulação
Nem toda lesão exige cirurgia. A indicação depende do tipo da lesão, nível de atividade física, idade e presença de instabilidade. Na ruptura completa do LCA em pacientes ativas, a reconstrução ligamentar costuma ser o caminho para devolver a estabilidade ao joelho e proteger a articulação a longo prazo.
Já em relação ao menisco, a conduta moderna prioriza a preservação da estrutura. “Hoje, sempre que as características da lesão permitem, buscamos preservar o menisco por meio da sutura (costura) em vez da remoção. Ele tem uma função vital na proteção contra a artrose precoce. A estratégia deve ser 100% individualizada”, destaca o especialista.
Reabilitação com foco biomecânico
A recuperação exige fisioterapia qualificada, fortalecimento muscular (com ênfase em quadríceps e posteriores da coxa) e treino de gesto esportivo. Para o público feminino, o retreino biomecânico para aterrissagem e desaceleração é crucial para evitar novos traumas.
O retorno ao esporte não se baseia apenas no calendário. “A cirurgia é apenas uma etapa. A reabilitação garante força, equilíbrio e, acima de tudo, a confiança da paciente. Ignorar os sintomas ou tentar ‘treinar por cima da dor’ só aumenta o risco de danos secundários na cartilagem”, alerta Dr. Luiz Henrique Pires.
Diante de inchaço importante, estalos com dor ou instabilidade, procurar avaliação médica especializada é o primeiro passo para garantir a longevidade e a saúde do joelho.
(Crédito: Imagem criada por IA)
