Inteligência Artificial virou item obrigatório para empresas ou ainda é tendência?
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência distante das grandes empresas de tecnologia e passou a ocupar espaço estratégico em negócios de diferentes segmentos. Com a popularização de ferramentas de automação, análise de dados e atendimento inteligente, empresas brasileiras começam a entender que a IA não é mais apenas uma inovação “do futuro”, mas uma ferramenta capaz de impactar diretamente produtividade, competitividade e tomada de decisão.
Em meio à corrida tecnológica, especialistas avaliam que o mercado vive uma mudança semelhante ao que aconteceu com a chegada da internet nas empresas. Hoje, organizações que ignoram a inteligência artificial podem enfrentar dificuldades para acompanhar a velocidade das transformações digitais, principalmente em setores onde eficiência operacional, análise de dados e experiência do cliente se tornaram fatores decisivos.
Para Ademar Paes Junior, CEO da LifesHub, a inteligência artificial já ultrapassou a fase de tendência e se consolidou como necessidade estratégica. “A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica e passou a ser um componente estratégico para empresas que querem permanecer competitivas nos próximos anos”, afirma.
Segundo ele, a tecnologia sozinha não garante transformação. “O que transforma é a capacidade de aplicá-la a problemas reais do negócio, com dados de qualidade, governança e clareza sobre o impacto esperado”, explica. Atuando diretamente com saúde, benefícios corporativos e gestão de dados sensíveis, Ademar afirma que a IA já contribui para reduzir ineficiências, antecipar riscos e acelerar decisões que antes dependiam de processos manuais e fragmentados.
Na avaliação do executivo, empresas que ainda tratam a inteligência artificial apenas como experimento isolado começam a acumular uma “dívida competitiva”. “A questão já não é mais se a IA deve entrar na estratégia, mas como ela será implementada com responsabilidade”, pontua.
Entre os setores que mais precisam investir na tecnologia, Ademar destaca saúde, finanças, logística, varejo e gestão de benefícios corporativos. “Os negócios que mais precisam investir em IA são aqueles em que a sobrecarga operacional, a lentidão na análise de dados ou o erro humano geram impactos relevantes em custo, tempo, risco ou vida”, afirma.
Na área da saúde, ele explica que ainda existe um enorme volume de dados sendo administrados de forma pouco integrada. “A IA pode ajudar em triagem, gestão da jornada do paciente, prevenção de riscos, detecção de fraudes, análise preditiva e personalização do cuidado”, destaca.
O especialista também acredita que pequenas empresas têm hoje uma grande oportunidade de acessar soluções antes restritas às grandes corporações. “Durante muito tempo, tecnologia avançada era privilégio de empresas com grandes orçamentos. Isso mudou”, afirma. Segundo ele, negócios menores já conseguem aplicar IA em atendimento, automação de processos, marketing, relacionamento com clientes e análise de dados.
Apesar disso, Ademar alerta que o principal desafio não é apenas ter acesso à tecnologia, mas saber utilizá-la corretamente. “IA aplicada sobre um processo confuso apenas acelera a confusão”, explica. Para ele, pequenas empresas devem começar identificando gargalos operacionais, falhas de comunicação, perda de receita e tarefas repetitivas antes de automatizar processos.
O executivo avalia ainda que a inteligência artificial pode até continuar sendo um diferencial competitivo em alguns mercados, mas essa vantagem tende a diminuir rapidamente. “Assim como aconteceu com a internet, usar IA tende a se tornar condição mínima para operar em muitos setores”, afirma.
Por isso, ele acredita que o verdadeiro diferencial competitivo estará na qualidade dos dados, na integração dos sistemas e na capacidade humana de interpretar as informações geradas pela tecnologia. “A IA deve ampliar a inteligência humana, não substituí-la”, defende.
Ademar reforça que empresas precisam olhar para a tecnologia com responsabilidade e estratégia. “Não basta automatizar; é preciso governar. A pergunta não deve ser apenas qual IA contratar, mas que tipo de organização queremos construir com IA”, conclui.
(Foto: Inteligência Aritificial)

