Como as redes sociais influenciam jovens da geração Z a cuidarem da beleza tão cedo?

As redes sociais transformaram a rotina de beleza em um dos assuntos mais consumidos pela geração Z

Vídeos de skincare, maquiagem, procedimentos estéticos e cuidados com a pele dominam plataformas como TikTok e Instagram, influenciando crianças e adolescentes a iniciarem hábitos de beleza cada vez mais cedo. O que antes era associado à vida adulta passou a fazer parte do cotidiano de jovens que acompanham influenciadores digitais e tendências virais diariamente.
Ao mesmo tempo em que esse movimento estimula o autocuidado e o interesse pela saúde da pele, especialistas alertam para os riscos do excesso. A busca por uma aparência considerada “perfeita” pode incentivar o uso inadequado de produtos, gerar inseguranças e até impactar diretamente a autoestima dos adolescentes, principalmente diante da pressão estética constante das redes sociais.

Segundo Lucas Penteado, CEO e fundador da Piny, marca brasileira de skincare vegana e cruelty-free, o problema não está exatamente em começar a cuidar da pele cedo, mas na forma como isso acontece atualmente nas redes. “Cuidar de pele acneica e oleosa desde cedo faz total sentido, especialmente porque é justamente nessa fase que os hormônios estão descontrolados e a acne aparece. O problema é que as redes transformam isso em algo complicado demais”, afirma.

De acordo com ele, muitos adolescentes acabam acreditando que precisam seguir rotinas extensas de cuidados para conquistar uma pele bonita. “O adolescente vê um roteiro com dez passos, sete produtos diferentes, e pensa que precisa daquilo tudo. Aí começa a usar coisas que não precisa, que irritam a pele e causam mais problemas do que soluções”, explica.

Lucas afirma que a empresa percebe com frequência jovens chegando com a pele sensibilizada após seguirem tendências virais. “Na Piny a gente vê isso direto: adolescentes com a pele devastada porque usaram produtos muito fortes, muito frequentes ou combinações que não fazem sentido. Na realidade, o básico funciona: limpeza adequada, hidratação e protetor solar”, destaca.

Para ele, as redes sociais acabam potencializando inseguranças ao mesmo tempo em que oferecem produtos como solução imediata. “As redes amplificam a insegurança e depois vendem a ‘solução’ como se fosse um kit de quinze itens. Isso sim é problemático”, pontua.

O especialista acredita ainda que a pressão estética online afeta diretamente a autoestima da geração Z. “A diferença agora é que essa pressão é constante, 24 horas por dia, impulsionada por algoritmos e por imagens extremamente filtradas. O adolescente começa a se comparar o tempo inteiro e pensa: ‘por que minha pele não é assim?’”, afirma.

Segundo Lucas, o impacto emocional pode ser significativo quando os jovens passam a associar autoestima apenas à aparência. “O problema não é a rede social em si, mas a falta de senso crítico sobre o que está sendo consumido. A pele real não parece filtro de Instagram”, diz.

Ele também reforça que crianças e adolescentes não precisam utilizar tantos produtos quanto os mostrados por influenciadores digitais. “Criança não precisa de rotina complexa de skincare. Sabonete adequado e água já bastam. Adolescente com pele normal precisa de limpeza suave e hidratante. Quando existe acne, aí sim pode haver um tratamento específico”, explica.

Lucas destaca que o excesso de produtos muitas vezes está ligado ao próprio mercado digital. “Influenciadores ganham comissão vendendo produto. Então claro que vão mostrar vídeos com muitos itens. Mas isso não significa que a pessoa realmente precise daquilo”, afirma.

Além da preocupação com o uso exagerado de cosméticos, ele alerta para sinais de que o interesse por beleza pode estar se tornando compulsivo. “Os pais precisam observar comportamentos obsessivos, ansiedade excessiva com aparência, compulsão por compras e mudanças de humor relacionadas às redes sociais. Quando a autoestima depende da aprovação online, isso deixa de ser um interesse saudável”, explica.

Para o especialista, o diálogo dentro de casa é fundamental para evitar que a relação dos jovens com a beleza se torne prejudicial. “O mais importante é conversar sem julgamento, explicar que filtros existem e mostrar que autoestima não pode depender apenas da aparência ou das redes sociais. E, em casos mais graves, buscar ajuda profissional”, conclui.

(Foto: Divulgação)

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