Amamentação: mitos, verdades e o papel do fonoaudiólogo – Dia das Mães

Amamentação: o que é mito, o que é verdade – e o que quase ninguém te explica

Dor, insegurança e culpa fazem parte da rotina de muitas mães que amamentam. Uma fonoaudióloga especialista explica os principais erros de informação e revela por que a função de sucção do bebê é a chave que falta nessa conversa.

Por Dra. Thaís Maia (fonobaby) · Fonoaudióloga especialista em amamentação ·

A amamentação é um dos processos mais naturais da vida – mas isso não significa que seja simples. No consultório, é muito comum receber mães frustradas, com dor, insegurança e, principalmente, carregando culpas baseadas em informações incompletas ou equivocadas.

A seguir, esclarecemos os principais mitos e verdades sobre amamentação e trazemos um ponto essencial que ainda é pouco discutido: o papel da fonoaudiologia nesse processo.

Mito “Se está doendo, é porque a pega está errada” Parcialmente verdadeiro e é exatamente aí que mora o problema.

A dor na amamentação nem sempre está relacionada apenas à pega. Muitas vezes, a posição pode estar adequada, mas o bebê apresenta alterações na sucção, o que gera dor, fissuras e baixa eficiência na mamada.

A sucção é uma função complexa que envolve língua, mandíbula, coordenação e força – e pode estar alterada mesmo quando a pega parece correta.

É exatamente aqui que entra o trabalho da fonoaudiologia.

Verdade O fonoaudiólogo é fundamental na amamentação

O fonoaudiólogo especialista em amamentação atua diretamente na função de sucção do bebê – algo que vai muito além da estética da pega. Esse profissional avalia o movimento da língua, vedamento labial, coordenação sucção–deglutição–respiração, além da força e do ritmo da mamada.

Muitas mães chegam ao consultório após tentarem “corrigir a pega” inúmeras vezes

– quando, na verdade, o bebê precisa de reabilitação funcional da sucção. Mito “Meu leite é fraco”

Esse mito não tem base científica. O leite materno é biologicamente adequado para o bebê. O que pode acontecer é o bebê não conseguir extrair o leite de forma eficiente – novamente, por alterações na função de sucção.

O problema não está no leite, mas na forma como o bebê mama.

Verdade Língua presa pode impactar (e muito) a amamentação

Há um aumento significativo nos diagnósticos de anquiloglossia (popularmente chamada de “língua presa”), condição que limita os movimentos da língua e tem impacto direto na amamentação: dificuldade de manter o vácuo, estalos durante a mamada, mamadas longas e cansativas, ganho de peso insuficiente e dor materna.

Não basta apenas realizar o procedimento cirúrgico (frenotomia). Após a liberação da língua, é essencial reeducar a função de sucção – caso contrário, o bebê pode continuar mamando de forma inadequada mesmo com a língua “solta”.

É nesse momento que a fonoaudiologia se torna indispensável.

Mito “Se o bebê está ganhando peso, está tudo bem”

Nem sempre. O bebê pode ganhar peso, mas à custa de muito esforço, com mamadas extremamente longas – gerando dor e desgaste materno intensos. Amamentar não deveria ser um processo sofrido.

Verdade Amamentação é função – e precisa ser avaliada

A amamentação não é apenas um ato afetivo: envolve funções orais fundamentais para o desenvolvimento do bebê. Quando a sucção está alterada, pode haver impacto na respiração, no desenvolvimento craniofacial, na mastigação futura e na fala. Por isso, tratar precocemente faz toda a diferença.

Conclusão

A amamentação não depende apenas da mãe – e não deve ser uma jornada solitária. Se há dor, dificuldade ou insegurança, é essencial investigar além do básico. Muitas vezes, o que precisa de ajuste não é a pega, mas a função de sucção do bebê.

A fonoaudiologia tem um papel central nesse processo, promovendo não apenas uma amamentação eficaz, mas também saúde e desenvolvimento a longo prazo.

Neste Dia das Mães, que cada mãe saiba que pedir ajuda não é fraqueza, é o caminho mais seguro para uma amamentação saudável.

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