Isadora Coimbra defende novo rumo para mineração no Brasil
O Brasil possui alguns dos minerais mais valiosos do mundo, essenciais para tecnologias como baterias, carros elétricos e energia limpa. Ainda assim, o país segue um modelo antigo: extrai, exporta e deixa o maior lucro acontecer fora.
Na prática, toneladas de minério saem do Brasil em estado bruto, enquanto outros países fazem o processamento, a industrialização e vendem os produtos finais por valores muito mais altos. Essa diferença pode chegar a até 50 vezes entre o que é exportado e o que é vendido depois de transformado.
Um exemplo simples ajuda a entender: o lítio bruto vale pouco, mas depois de refinado e transformado em componente de bateria, seu valor dispara. É como vender matéria-prima barata e recomprar o produto final caro.
Esse cenário não é inevitável, é uma escolha. E começa a dar sinais de mudança. Um acordo recente firmado por Goiás com os Estados Unidos já prevê que os minerais não sejam apenas extraídos, mas também processados no Brasil, fortalecendo a indústria local.

Empresas brasileiras também começam a atuar com uma nova visão, estruturando projetos que já consideram toda a cadeia de valor, desde a extração até o produto final. A ideia é clara: não basta vender o recurso, é preciso gerar valor dentro do país.
O impacto disso vai muito além da mineração. Envolve geração de empregos qualificados, avanço tecnológico e maior protagonismo do Brasil na economia global, especialmente em setores ligados à transição energética.
O país não precisa buscar novas riquezas — elas já existem. O desafio agora é decidir quanto desse valor vai, de fato, ficar aqui.

